Imagem: desenho (sem título) de Giane Lessa. Quem vai morrer dormindo? Ver a vida de fora Como uma memória ao vento Duvidar da memória Duvidar da própria comédia Encarar o ponto cego Tão dramático do próprio riso E rir mais ainda de si Viver o próprio drama com desconfiança Surpreender-se e duvidar da própria dor […]
Quem vai morrer dormindo? Ver a vida de fora Como uma memória ao vento Duvidar da memória Duvidar da própria comédia Encarar o ponto cego Tão dramático do próprio riso E rir mais ainda de si Viver o próprio drama com desconfiança Surpreender-se e duvidar da própria dor No intervalo mínimo entre a dor e a dor Desconfiar da verdade das próprias palavras Encontrar a falsidade até mesmo no desejo mais genuíno de ser verdadeiro E perceber o acúmulo de farsas de que somos feitos Esse nó que somos Como um intestino embaraçado Sem alças Sem apoio Pisando em cacos de vidro Tentando equilibrar o que não tem remédio Tentando formular um desenho nítido Em vão Essa água que escorrega tudo Esse mar violento que tudo traga E arrasta Que não queremos ver Espelho oblíquo Que, no entanto, se dispõe À nossa frente, a cada passo Para o qual Não queremos olhar
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Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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