Com uma filmografia que rompe os limites entre documentarista e tema observado, Eliza Capai atravessa setores marginalizados da sociedade brasileira por meio de uma escuta sensível, com respeito e zelo. Em um mundo em que o silêncio é uma ferramenta de opressão, uma cineasta transforma o “registrar” em um ato de resistência. Cena de “Incompatível […]
Com uma filmografia que rompe os limites entre documentarista e tema observado, Eliza Capai atravessa setores marginalizados da sociedade brasileira por meio de uma escuta sensível, com respeito e zelo. Em um mundo em que o silêncio é uma ferramenta de opressão, uma cineasta transforma o “registrar” em um ato de resistência.
Cena de “Incompatível com a vida” – Foto: Divulgação
. A plataforma do Itaú Cultural Play – ICPlay apresenta filmes de Eliza Capai gratuitamente. Para acessar, basta fazer cadastro na página. Clique, aqui. Cadastrada, a pessoa pode assistir aos filmes da cineasta, aqui.
Espero tua (re)volta – Documentário / 2019 / Rio de Janeiro / 93 min
Sinopse – Protestam por melhorias no ensino público e reivindicam uma São Paulo mais equânime, inclusiva e livre de suas desigualdades econômicas. Das marchas de 2013 às mudanças políticas pré-pandemia, o documentário acompanha a luta estudantil e seu encontro com a potência de outros movimentos sociais.
Com imagens de arquivo de manifestações desde 2013, o filme é narrado por três estudantes que, ao se unirem para falar por uma geração de alunos, anseiam por um futuro em que a educação seja acessível e de qualidade para todos, sem distinções sociais.
#Resistência – Documentário / 2017 / São Paulo / 56 min / 12
Sinopse – Cultura, feminismo e mídia são três eixos cujos debates emergiram e ganharam fôlego durante as votações que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff. O documentário acompanha manifestações e ocupações de prédios públicos que ocorreram nesse período turbulento da história do país.
A realizadora Eliza Capai está entre os dez brasileiros convidada para ingressar na Academia do Oscar em 2025. Em seu documentário #Resistência, propõe um olhar alternativo à representação convencional dos movimentos sociais. O filme retrata, “de dentro para fora”, os desafios vívidos por aquelas cujas lutas são objeto de investigação da obra. A perspectiva cênica mantém o foco no cerne da questão: mais do que observar, o cineasta “sente” por meio das lentes que exploram, com respeito e sensibilidade, as afirmações de diversas manifestações que ocorrem pelo país.
O jabuti e a anta – Documentário | 2016 | São Paulo | 70 minutos | L
Sinopse – Na grande semana de 2014, que esgotou os estoques de água nos reservatórios da região Sudeste, desperta revolta e inquietação na documentarista Eliza Capai. Em conversa com a população ribeirinha, pescadores e indígenas que habitam as margens dos rios Xingu, Tapajós e Ene, um cineasta aprofunda o debate sobre os impactos da construção de usinas hidrelétricas, um dos principais modelos de geração de energia do país.
Narrado por Leticia Sabatella, o documentário recebe seu título de uma história folclórica que, em sua fábula, retrata as desigualdades de poder e os limites da opressão.
Incompatível com a vida – Documentário / 2023 / Rio de Janeiro / 92 minutos / 14 (Nudez, temas sensíveis, violência)
A documentarista Eliza Capai registra sua vivência e a de outras mulheres que tiveram uma gravidez interrompida. Entre exposições a partir de imaginários e realidades diversas, a dor da memória e a convivência com a realidade compõem esta narrativa, tecida com sensibilidade por mulheres que discordam sobre a figura da mãe e seus medos, sonhos, dificuldades políticas e anseios.
Qualificado para o Oscar de Melhor Documentário, o filme revela realidades e lança olhares sobre a maternidade e as políticas contemporâneas de cuidado à pessoa gestante. Vozes honestas são colhidas pelo cineasta, que flui entre entrevistadora e objeto de sua própria obra. Em momentos simbólicos, a força das falas e das dores representadas entremeia reflexões em uma narrativa na qual o documentarista é contadora, memória, tema e aquela que nos convoca à escuta.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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