Em “Panorama Cerrado”, jogador pode escolher entre participar de uma missão investigativa ou fazer um tour virtual pelas paisagens, espécies e curiosidades da região. Jogo sobre o Cerrado está disponível para download gratuito para computadores – Foto: Divulgação/IFSC-USPClique aqui e receba notícias no seu WhatsApp Panorama Cerrado é um jogo educacional para computadores com sistema Windows, […]
Em “Panorama Cerrado”, jogador pode escolher entre participar de uma missão investigativa ou fazer um tour virtual pelas paisagens, espécies e curiosidades da região.
Jogo sobre o Cerrado está disponível para download gratuito para computadores – Foto: Divulgação/IFSC-USP
Panorama Cerrado é um jogo educacional para computadores com sistema Windows, que tem como objetivo instruir e conscientizar os jogadores sobre a importância ecológica do segundo maior bioma da América do Sul e um dos mais ameaçados do Brasil.
Mais do que entreter, o jogo busca despertar a consciência ambiental, especialmente entre os jovens, ao destacar a riqueza da biodiversidade e a urgência da preservação, aproximando o conhecimento científico da linguagem digital presente no cotidiano dos usuários, tornando a aprendizagem mais acessível e significativa. O download gratuito pode ser feito neste link.
Desenvolvido pelo Espaço Interativo de Ciências, um centro de educação e divulgação científica ligado ao Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP e ao Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), com recursos financeiros da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o jogo combina entretenimento e educação em um formato inovador, denominado GameTur. A proposta vai além do jogo tradicional: o usuário pode escolher entre participar de uma missão investigativa ou simplesmente passear virtualmente pelo Cerrado, explorando suas paisagens, espécies e curiosidades.
No modo “Jogo”, o usuário assume o papel de um produtor de documentários, com cenas captadas durante a jornada. A experiência é guiada por objetivos que orientam a exploração e estimulam a observação científica. Para apoiar essa jornada, o jogo oferece ferramentas interativas como um caderno com informações sobre as espécies, um mapa para localização no ambiente, um sistema de objetivos e um espaço para armazenar as gravações realizadas. A narrativa é conduzida por um especialista virtual, que introduz o jogador aos aspectos gerais do bioma e orienta a exploração. Ao final, o jogador assiste a um documentário personalizado com base nas descobertas feitas durante a exploração.
Já no modo “Passeio”, o jogador poderá explorar livremente o ambiente do Cerrado, interagindo com elementos da fauna e da flora locais. O usuário assume o papel de um turista e pode explorar o ambiente em seu próprio ritmo, com foco na contemplação e no aprendizado, utilizando um mapa interativo que facilita a identificação de espécies, funcionando como um guia da região. A cada nova interação com uma espécie, o jogo oferece informações educativas sobre o animal ou planta em questão, promovendo o aprendizado de forma lúdica e envolvente.
Para reforçar o aspecto de coleta e progresso, o jogador também terá acesso a um “Caderno de Campo”, que funciona como um diário. Nele, é possível consultar quais espécies já foram encontradas, junto com descrições informativas e curiosidades, incentivando a exploração completa do bioma.
Jogador pode escolher entre participar de uma missão investigativa ou fazer um tour virtual – Foto: Divulgação/IFSC-USP
O desenvolvimento do jogo envolveu uma equipe multidisciplinar de especialistas e estudantes das áreas de tecnologia e ciências da natureza, que realizaram visitas de campo em regiões de Cerrado próximas a São Carlos (SP), especialmente na região de Itirapina, sob a orientação do ecólogo Paulo H. Peira Ruffino, do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), órgão da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). O resultado é uma representação digital que inclui modelagens 3D de espécies e diferentes fitofisionomias do bioma. A produção utilizou ferramentas como Unity 3D, Blender e Figma, garantindo uma experiência interativa rica e visualmente envolvente.
Segundo a professora e pesquisadora Leila Beltramini, responsável pelo projeto, o jogo foi desenvolvido dentro do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar) e financiado pela Fapesp a partir do programa Cepid (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão de Ciências), em que um dos objetivos é levar a ciência para a população. “Há mais de 20 anos vimos desenvolvendo jogos, mídias e outros aplicativos destinados aos jovens (e outros interessados), através do Espaço Interativo de Ciências, no sentido de levar conhecimento para fora dos laboratórios de pesquisa”, afirma.
A professora ainda explica que uma das linhas de pesquisa é prospectar novos medicamentos explorando a biodiversidade do Brasil, e foi daí que surgiu a ideia de desenvolver jogos combinando entretenimento e educação, esperando atrair a atenção dos estudantes e interessados em conhecer os principais biomas brasileiros, mostrando a fauna e flora presentes nessas regiões. “Dentro deste contexto, particularmente no Panorama Cerrado, esperamos mostrar a riqueza da biodiversidade desse bioma, a relação entre a flora e fauna nele presentes e a urgência de sua preservação, uma vez que é um dos mais ameaçados do País”, destaca.
A iniciativa reforça o potencial dos jogos digitais como ferramentas de aprendizagem, estimulando habilidades cognitivas como atenção, memória e planejamento — enquanto conecta o usuário a uma das maiores riquezas naturais do Brasil.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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