Vou olhar para essa cidade Vou olhar bem Pra ver se dá pra ver Vou olhar através dos morros, Para debaixo da terra Até estranhar e ver o que não via Vou mergulhar o olhar No fundo do oceano E vou olhar de lá pra cá Quero ver bem Sem aquela miopia Pra você que […]
Vou olhar para essa cidade Vou olhar bem Pra ver se dá pra ver Vou olhar através dos morros, Para debaixo da terra Até estranhar e ver o que não via Vou mergulhar o olhar No fundo do oceano E vou olhar de lá pra cá Quero ver bem Sem aquela miopia Pra você que me ajuda a ver Tem mais polícia Mais viatura Mais sepultura Vou olhar pelo buraco da fechadura Numa tarde como outra qualquer E ver as pessoas que são como as outras Olhar para os olhos delas Para onde o olhar olha o olhar Vou ver as maravilhas da cidade maravilhosa? Não tenho certeza de quê vou poder enxergar Eu vi as motos passando As mulas do séc. XXI Eu vi o cansaço Eu vi o estresse escorrendo pelos rostos Vi a música que não cantaram
Vi o sorriso pelo meio A metade do sorriso A metade do grito A metade do panetone Nos corpos amassados Nos gestos impensados Nas palavras bruscas Nos cabelos Nas unhas mais ou menos cuidadas Nas peles marcadas Nas cicatrizes internas Meninos eu vi
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(Ilustração criada com recursos de IA)
. Leia mais poemas de Giane Lessa, aqui
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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