Poema publicado originalmente na revista Escrita, edição 40. Sem Íntimo Falta o espinho na minha garganta quando a premência do desabafo já não me sai mais como na juventude e a arquitetura de muitos números desencanta-me a melodia gutural Falta o vidro nos meus olhos quando presencio a vergonha ornada à impetuosa sofisticação do estratagema […]
Sem Íntimo
Falta o espinho na minha garganta quando a premência do desabafo
já não me sai mais como na juventude
e a arquitetura de muitos números desencanta-me a melodia gutural
Falta o vidro nos meus olhos quando presencio a vergonha ornada à impetuosa sofisticação do estratagema pois gostaria de não ver o que me espanta mesmo custando a paisagem que encanta
Falta a lâmina no meu pulso quando em pensamento me embaraço e o espírito em vital cansaço prefere prosseguir no trabalho de construir o futuro a detê-lo como um mau impulso
Faltam-me as mãos nos ouvidos quando fora a palavra estúpida relincha, quando o pensamento em coices me balança, e a compreensão simples e ululante é encarcerada na caverna rupestre simplesmente porque todos concordam que fique lá
Falta-me a alma para me sentir límpido ser do ramo humano o fruto puro que apenas o mundo fosse iníquo eu poder atravessar o fogo sem pulo e conviver aberto e sem íntimo
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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