Nascido em 10 de julho de 1902 na cidade de Camagüey, Nicolás Guillén está entre os poetas cubanos mais populares e importantes do século XX. – . TengoClique aqui e receba notícias no seu WhatsApp Cuando me veo y toco yo, Juan sin Nada no más ayer, y hoy Juan con Todo, y hoy con […]
Nascido em 10 de julho de 1902 na cidade de Camagüey, Nicolás Guillén está entre os poetas cubanos mais populares e importantes do século XX. –
. Tengo
Cuando me veo y toco yo, Juan sin Nada no más ayer, y hoy Juan con Todo, y hoy con todo, vuelvo los ojos, miro, me veo y toco y me pregunto cómo ha podido ser.
Tengo, vamos a ver, tengo el gusto de andar por mi país, dueño de cuanto hay en él, mirando bien de cerca lo que antes no tuve ni podía tener. Zafra puedo decir, monte puedo decir, ciudad puedo decir, ejército decir, ya míos para siempre y tuyos, nuestros, y un ancho resplandor de rayo, estrella, flor.
Tengo, vamos a ver, tengo el gusto de ir yo, campesino, obrero, gente simple tengo el gusto de ir (es un ejemplo) a un banco y hablar con el administrador no en inglés, no en señor, sino decirle compañero, como se dice en español.
Tengo, vamos a ver, que siendo un negro nadie me puede detener a la puerta de un dancing o de un bar. O bien en la carpeta de un hotel gritarme que no hay pieza, una mínima pieza y no una pieza colosal, una pequeña pieza donde yo pueda descansar.
Tengo, vamos a ver, que no hay guardia rural que me agarre y me encierre en un cuartel, ni me arranque y me arroje de mi tierra al medio del camino real. Tengo que como tengo la tierra tengo el mar, no country, no jailáif, no tenis y no yacht, sino de playa en playa y ola en ola, gigante azul abierto democrático: en fin, el mar.
Tengo, vamos a ver, que ya aprendí a leer, a contar, tengo que ya aprendí a escribir y a pensar y a reír. Tengo que ya tengo donde trabajar y ganar lo que me tengo que comer. Tengo, vamos a ver, tengo lo que tenía que tener.
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Eu tenho
Quando me vejo e me toco; eu, Juan, que ontem não tinha nada, e hoje tenho tudo, volto os olhos e olho, vejo e me toco, e me pergunto como isso pôde ter sido.
Tenho, vejamos, tenho o prazer de percorrer meu país, dono de tudo o que nele existe, observando atentamente o que eu não tinha ou não podia ter antes. Posso dizer cana, posso dizer montanha, posso dizer cidade, dizer exército, agora para sempre meu e seu, nosso, e o vasto esplendor do raio de sol, da estrela, da flor.
Eu tenho, vejamos, eu tenho o prazer de ir, eu, um agricultor, um trabalhador, um homem simples, tenho o prazer de ir (apenas um exemplo) a um banco e falar com o gerente, não em inglês, não em ‘Senhor’, mas em ‘companero’, como dizemos em espanhol.
Vejamos, por ser negro , ninguém pode me impedir na porta de uma boate ou bar. Nem mesmo no tapete de um hotel gritar comigo que não há quartos, um quarto pequeno, não um colossal, um quartinho onde eu possa descansar.
Vejamos, não há polícia rural para me prender e me trancar numa cadeia local, ou me arrancar da minha terra e me jogar no meio da estrada.
Tenho isso: além da terra, tenho o mar, sem clubes de campo, sem vida de luxo, sem tênis e sem iates, mas, de praia em praia e onda após onda, um azul gigantesco, aberto e democrático: em suma, o mar.
Eu tenho, vejamos, que aprendi a ler, a contar, que aprendi a escrever, a pensar e a rir. Eu tenho… que agora tenho um lugar para trabalhar e ganhar o que preciso para comer. Eu tenho, vejamos, que tenho o que precisava ter.
Poema original em espanhol reproduzido de “Obra poética 1920-1972″, La Habana, Instituto Cubano del Libro, 1972.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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