Extraído do livro “101 poetas paranaenses – V2”. As formas de teu rosto arrastando-se pela memória roubando suavemente meu sorriso como pássaros colhendo palha para o ninho fio por fio até o fim Nada mais que um lago esperando pela pedra atirada pelas mãos de um menino de idade avançada com as águas elevando as […]
As formas de teu rosto arrastando-se pela memória roubando suavemente meu sorriso como pássaros colhendo palha para o ninho fio por fio até o fim Nada mais que um lago esperando pela pedra atirada pelas mãos de um menino de idade avançada com as águas elevando as mãos aos céus pensando nas formas das limas esquecidas sobre a mesa A vida um estranho jeito de inspirar o céu e expirar o ego como se cuspisse um caroço de tâmara pequenos gestos cozinhando alegria no crepúsculo quando o futuro arranha a vidraça Lembranças esfregando dúvidas no rosto do dia onde a consciência anoitece antes do sol escamas protegendo a alma da lama enquanto meus olhos rastelam um campo minado Todos os órfãos pendurados em meus cabelos todos os santos dormindo em minha cama enquanto o frio dedilha a pele sem dizer nenhuma prece
Ilustração: detalhe da capa de “Um Urso Correndo no Sótão”, livro publicado em 2002.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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