Uma só mão não basta para escrever Nos tempos que correm seriam necessárias duas E que a segunda aprenda rápido os ofícios do indizível: bordar o nome da estrela que se erguerá após o próximo apocalipse reconhecer entre mil outros o fio que não se rompe costurar no tecido das paixões fraldas, capas e mortalhas […]
Uma só mão não basta para escrever Nos tempos que correm seriam necessárias duas E que a segunda aprenda rápido os ofícios do indizível: bordar o nome da estrela que se erguerá após o próximo apocalipse reconhecer entre mil outros o fio que não se rompe costurar no tecido das paixões fraldas, capas e mortalhas esculpir o amanhecer em um monte de lixo Duas mãos não bastam para escrever Nos tempos que correm em que a miséria ruge seriam necessárias três, quatro para que a vida se digne a visitar esse terrível deserto branco
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Mais dois poemas de Abdellatif Laâbi
Teu musgo reconhece minha árvore Minha árvore se perde em tua floresta Tua floresta sustenta meu céu Meu céu te devolve as estrelas Tuas estrelas estão caindo em meu oceano Meu oceano balança teu barco Teu barco chega à minha costa Minha costa é teu país Teu país me subjuga e eu me esqueço do meu
Você reparou? Assim fazendo nossas mãos querem alcançar pegar alguma coisa O quê? A crina do instante a maçaneta do paraíso ou a alma do outro? Assim fazendo somos como um afogado para escapar dos salvadores
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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