– Uma crônica poética de Úrsula Férras – O cabelo arrumado de qualquer jeito, a roupa arrumada de qualquer jeito e um sorriso bem ensaiado no rosto. Com voz cansada e simpatia ensaiada, ela vende comida na rua. Um cheiro de gordura e sal espalha – se pelo ar quente daquele dia lento. Um […]
O cabelo arrumado de qualquer jeito, a roupa arrumada de qualquer jeito e um sorriso bem ensaiado no rosto. Com voz cansada e simpatia ensaiada, ela vende comida na rua. Um cheiro de gordura e sal espalha – se pelo ar quente daquele dia lento. Um dia arrastado, carregado de miseráveis guerreiros mal arrumados, ocupando calçadas com olhos apagados de sonhos. O céu finalmente desaba em chuva sobre a multidão perdida. Num instante ruas alagadas e correria. A miséria impermeável anestesia sentidos, mantendo o mundo da mulher na multidão tão desarrumado como um pesadelo sem hora para acabar. _______________________________ Úrsula Férras Peçanha é historiadora e professora de dança flamenco em Niterói, RJ.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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