Dia 20 de abril de 2026 – Entramos hoje na nossa terceira semana de buscas pelo Gregório. São quinze dias percorrendo cada bairro de Foz do Iguaçu, batendo em portas que se abrem com generosidade e encarando rostos que a pressa do dia a dia costuma apagar. Nessa jornada, aprendemos uma lição dura, mas necessária: […]
Dia 20 de abril de 2026 – Entramos hoje na nossa terceira semana de buscas pelo Gregório. São quinze dias percorrendo cada bairro de Foz do Iguaçu, batendo em portas que se abrem com generosidade e encarando rostos que a pressa do dia a dia costuma apagar. Nessa jornada, aprendemos uma lição dura, mas necessária: a cidade é cheia de pessoas que se tornaram invisíveis aos olhos da maioria.
Ao procurarmos pelo nosso Gregório, passamos a conversar com os irmãos que habitam as ruas. Descobrimos que ali, debaixo de marquises e em bancos de praças, existem histórias profundas — algumas lindas, outras sofridas — e uma rede de acolhimento que compartilha o pouco que tem. Hoje, entendemos que o Gregório pode ser um deles.
Após duas semanas, o homem da foto de família deu lugar a alguém transformado pelo tempo. Sem a prótese dentária, o rosto muda e a fala se torna diferente. Com a barba crescida e roupas que podem ter sido trocadas ou doadas, ele agora se assemelha a tantos outros que cruzamos e não enxergamos. Nosso apelo hoje é por um olhar mais humano.
Pedimos que, ao caminhar por Foz neste feriado, você observe quem está ao seu redor. Mas pedimos, acima de tudo, respeito. Quem vive nas ruas merece dignidade. Não queremos que ninguém seja incomodado ou invadido. Seus moradores são pessoas que, como o Gregório, têm um nome e um lugar de onde vieram.
Se você avistar alguém que lembre o Gregório, faça o simples: observe com calma, tente uma aproximação gentil chamando-o pelo nome e, se possível, registre uma foto de longe. A sua dúvida pode ser a nossa resposta, mas o seu respeito deve ser a regra.
O Gregório não é invisível. Ninguém é. Ajude-nos a encontrá-lo com os olhos da empatia.
Ligue: 153 ou 45-99911-6095
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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