Minha tia-avó Eva completa 85 anos hoje. (Foto: Denise Paro). Ela não usa smartphone. Não tem LinkedIn. Não fez curso de liderança. Nunca postou nada. E mesmo assim, é a pessoa mais influente que já conheci. Não por carisma. Por padrão. Foi diretora do Colégio Estadual Bartolomeu Mitre, em Foz do Iguaçu. A primeira mulher, […]
Minha tia-avó Eva completa 85 anos hoje. (Foto: Denise Paro).
Ela não usa smartphone. Não tem LinkedIn. Não fez curso de liderança. Nunca postou nada.
E mesmo assim, é a pessoa mais influente que já conheci.
Não por carisma. Por padrão.
Foi diretora do Colégio Estadual Bartolomeu Mitre, em Foz do Iguaçu. A primeira mulher, numa época que mulheres não apitavam muito nesses setores de comando. Trilíngue. Pioneira na inclusão de alunos surdos no ensino público quando essa palavra ainda não existia no vocabulário dos gestores. Cofundadora da APASFI. Empresária depois da aposentadoria. Exigente, temida, respeitada.
Era uma de doze irmãos. Hoje, é a última.
Há algo de imenso nisso que não consigo nomear direito. Uma geração inteira que passou pelo mundo e deixou rastro — e ela carrega tudo isso sozinha agora, de pé, lúcida, ainda cobrando excelência de quem está ao redor.
Minha avó foi embora em janeiro. Eva segue.
Liguei hoje pra desejar feliz aniversário. Em espanhol, claro. Não houve bronca este ano — só a leveza de quem já sabe o que importa e o que passa.
Cresci com orgulho dessa régua. Nunca achei pesada. Só aprendi, com o tempo, o quanto ela é rara. Feliz aniversário, tia Eva. Você é a memória viva de uma geração que construiu sem holofotes. E obrigado por tantos anos de amor incondicional.
Eva Terezinha Vera, quando jovem estudante nos anos 50 – Foto: arquivo pessoal
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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