Dorme tarde Desperta meio dia Não sabe onde está Calendário pra quê? Tempo não importa Nasceu por enganoClique aqui e receba notícias no seu WhatsApp De quem? Está na esquina Está na pia Está na sujeira Usa batom Revira seu lixo Veste o que tem Empurra carrinho Pesado Rodado Calça manchada Sente frio Se protege […]
Dorme tarde Desperta meio dia Não sabe onde está
Calendário pra quê? Tempo não importa Nasceu por engano
De quem?
Está na esquina Está na pia Está na sujeira
Usa batom Revira seu lixo Veste o que tem
Empurra carrinho Pesado Rodado Calça manchada
Sente frio Se protege Com que vai ser de outro No próximo plantão Dormindo pra sempre Ou acordada pra nada
Acende uma vela Faz uma reza Quer mesa farta
Pescoço fino Da prole Faz a ocasião Rouba o patrão Necessidade
Atravessa a margem Com o dobro Do peso Tem sua bagagem
Está no boteco Olhando pro nada Por decepção
Se entrega pro vício Pra sentir o alívio Da vida ilusão
Está na esquina Pra ser a próxima Faz sua hora
Berço vazio Barraco cheio
É negativada Está positivada
A da televisão É uma mercadoria Parcelada
Foi romantizada É consagrada
Longe da perfeição Desse padrão
É a mãeginalizada.
Mãe da margem
.
Fragmento do filme “A Melhor Mãe do Mundo” – Foto: captura de tela
. Leia mais poemas de Maria Eugênia Miskalo, aqui.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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