Fotografia de Orlando Kissner . . No frio molhado, eu te descubro senhora. Tingui entre prédios cinzas, colho pinhas caídas no asfalto. . Faz gelo e meu acalanto não chega a seus cardeais, na ponta da periferia, com gentes ensopadas. Há frestas em suas casas e almas, por onde assombram carências recolhidas. . Triste beleza […]
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. No frio molhado, eu te descubro senhora. Tingui entre prédios cinzas, colho pinhas caídas no asfalto. . Faz gelo e meu acalanto não chega a seus cardeais, na ponta da periferia, com gentes ensopadas. Há frestas em suas casas e almas, por onde assombram carências recolhidas. . Triste beleza tem a carícia da garoa em seus gramados urbanos e serve ao menos para inspirar o olhar, celebrar a existência, molhar o gorro ou pensar no final de dia ocre de outras estações. . Derrapo no petit pave, a desenhar sonhos pendurados em suas janelas e quase sou atropelado por buzinas insanas. Cantigas bêbadas e sussurradas prometem fantasias. . As araucárias estendem os braços no vazio e lembram uma estranha dança do vento em suas cabeleiras, enquanto sabiás dançam um tango desafinado em fiapos de mato. Sinto o cheiro da neblina. Nada a dizer, nem quero. O frio espeta fino no ser. Goteja embaçado. .
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Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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