Publicado originalmente em rede social da autora. – Foto: Carol Ramalho por Adrielly Oissa. – {interiorana} queria ir pro exterior, morar longe, viver uma vida nova. aqui não me cabia mais. afinal, o que é este aqui quando eu queria era estar lá? fui pra lá. cheguei. quem era eu? ninguém. como se abastece ninguém? […]
queria ir pro exterior, morar longe, viver uma vida nova. aqui não me cabia mais. afinal, o que é este aqui quando eu queria era estar lá?
fui pra lá. cheguei. quem era eu? ninguém. como se abastece ninguém? do que vive ninguém? e como eu saberia se sempre fui alguém? eu realmente não sei do que se alimenta ninguém.
fiquei. insisti. e com fome, descobri que só tinha alimento de mim. de mim? logo eu que tô com fome? pois. comi. saboreei. me empanturrei.
descobri que exterior não é do lado de lá. exterior é aqui, quando tudo que vivo é qualquer coisa, menos o interior de mim.
interior. ser de dentro. vir de dentro. capital. quem se importa? que diferença faz ser capital do exterior [ que não enxerga o interior de mim?
prefiro ser capital do meu jardim. prefeita do meu boteco e dona da minha escolinha.
estrangeiro, pra mim, é só geográfico. no mais, nunca fui tão interiorana. ufa!
. Acesse o site oficial de Carol Ramalho, aqui.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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