Publicado na revista Escrita . .Clique aqui e receba notícias no seu WhatsApp Minha Universidade Conheceis o francês, sabeis dividir, multiplicar, declinar com perfeição. Pois, declinai! Mas sabeis por acaso cantar em dueto com os edifícios? Entendeis por acaso a linguagem dos bondes? O pintainho humano mal abandona a casca atraca-se aos livros e a […]
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Minha Universidade
Conheceis o francês, sabeis dividir, multiplicar, declinar com perfeição. Pois, declinai! Mas sabeis por acaso cantar em dueto com os edifícios? Entendeis por acaso a linguagem dos bondes? O pintainho humano mal abandona a casca atraca-se aos livros e a resmas de cadernos. Eu aprendi o alfabeto nos letreiros folheando páginas de estanho e ferro. Os professores tomam a terra e a descarnam e a descascam para afinal ensinar: “Toda ela não passa dum globinho!” Eu com os costados aprendi geografia. Não foi à toa que tanto dormi no chão. Os historiadores levantam a angustiante questão: – Era ou não roxa a barba de Barba Roxa? Que me importa! Não costumo remexer o pó dessas velharias! Mas das ruas de Moscou conheço todas as histórias. Uma vez instruídos, há os que propõem a agradar às damas, fazendo soar no crânio suas poucas idéias, como pobres moedas numa caixa de pau. Eu, somente com os edifícios, conversava. Somente os canos dágua me respondiam. Os tetos como orelhas espichando suas lucarnas atentas aguardavam as palavras que eu lhes deitaria. Depois noite a dentro uns com os outros palravam girando suas línguas de catavento.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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