Publicado no livro Quaderna (1960). Foto: Giane Lessa. Sempre que no telefone me falavas, eu diria que falavas de uma sala toda de luz invadida, sala que pelas janelas, duzentas, se oferecia a alguma manhã de praia, mais manhã porque marinha, a alguma manhã de praia no prumo do meio-dia, meio-dia mineral de uma praia […]
Sempre que no telefone me falavas, eu diria que falavas de uma sala toda de luz invadida, sala que pelas janelas, duzentas, se oferecia a alguma manhã de praia, mais manhã porque marinha, a alguma manhã de praia no prumo do meio-dia, meio-dia mineral de uma praia nordestina, Nordeste de Pernambuco, onde as manhãs são mais limpas, Pernambuco do Recife, de Piedade, de Olinda, sempre povoado de velas, brancas, ao sol estendidas, de jangadas, que são velas mais brancas porque salinas, que, como muros caiados possuem luz intestina, pois não é o sol que as veste e tampouco as ilumina, mais bem, somente as desveste de toda sombra ou neblina, deixando que livres brilhem os cristais que dentro tinham. Pois, assim, no telefone tua voz me parecia como se de tal manhã estivesse envolvida, fresca e clara, como se telefonasses despida, ou, se vestida, somente de roupa de banho, mínima, e que por mínima, pouco de tua luz própria tira, e até mais, quando falavas no telefone, eu diria que estavas de todo nua, só de teu banho vestida, que é quando tu estás mais clara pois a água nada embacia, sim, como o sol sobre a cal seis estrofes mais acima, a água clara não te acende: libera a luz que já tinhas.
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Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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