Publicado originalmente na revista Escrita . . Não, não, não, por favor, discorde! Não disfarce. Se coloque! Criemos aqui um embate. Tudo aqui é tão correto sempre. As maiores hipocrisias estão vestidas de formalidade. Chega mais, me mostra mais sua identidade, aquela que você teve que esconder, pra fazer a foto de felicidade. Não.. […]
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. Não, não, não, por favor, discorde! Não disfarce. Se coloque! Criemos aqui um embate. Tudo aqui é tão correto sempre. As maiores hipocrisias estão vestidas de formalidade. Chega mais, me mostra mais sua identidade, aquela que você teve que esconder, pra fazer a foto de felicidade. Não.. não me diga que isso é lealdade, irmandade, ou o que se faz pra não perder a amizade. Esse discurso vira breu, quando você está no espelho frente a frente com o… Eu? Ei mais uma vez estamos aqui, mas você ainda não apareceu. Te olho nos olhos e percebo as camadas que te escondeu. Adormeceu… Mais um “eu” aprisionado pelo espectro, o social. Nada irreal. Por aqui, isso é tão normal. Nesse berço-mundo o que prospera é o que retém mais. A preço de vida, preço de moeda, tanto faz. Na prática é tudo igual. E na penumbra da cidadela a ordem nunca se desfaz. É a rainha, que nesse xadrez não cai jamais. E nessa aquarela onde está você? Ainda te vejo cinza, encostado na janela vendo o dia anoitecer. Que pena me dá ser você, que ilustra fábulas encantadas pra não se perder. Que enfeita a vida em metáforas para não enlouquecer. Que engenhosa minha droga de ser, me mantém lúcida em mil estórias, para de todas aprender. (Que bom é ser você)
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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