Esses arames de aço que atravessam o meu punho Quero deixá-los como lastros Como lixo Como lago estéril Acidente sobre algum rio Largar Esse peso Essa trama que perfura Essa dor que dura Perdura Essa água que não leva Não arrasta Como pensamento que cega Como obsessão que insiste Essa dor que quer porque quer […]
Esses arames de aço que atravessam o meu punho Quero deixá-los como lastros Como lixo Como lago estéril Acidente sobre algum rio Largar Esse peso Essa trama que perfura Essa dor que dura Perdura Essa água que não leva Não arrasta Como pensamento que cega Como obsessão que insiste Essa dor que quer porque quer Ensinar a gritar bem A urrar em qualquer lugar A perder a compostura Quero arrancar essa atadura Com os dentes Só de raiva, eu teimo Não grito Não urro Nem sinto sinal de lágrima querendo cair Suportar a dor É ensiná-la Não permitir que me ganhe Que me vença Que me foda Que me urre Como se eu fosse de gritar por aí Como se eu me abandonasse no grito E nela mesma Eu ensino Pra que ela saiba Pra que ela entenda De uma vez por todas Pra mostrar Quem dá a última palavra Nessa queda de braço
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
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