– Um POEMA de Sidney Giovenazzi – Sem ÍntimoClique aqui e receba notícias no seu WhatsApp Falta o espinho na minha garganta quando a premência do desabafo já não me sai mais como na juventude e a arquitetura de muitos números desencanta-me a melodia gutural Falta o vidro nos meus olhos quando presencio a vergonha […]
– Um POEMA de Sidney Giovenazzi –
Sem Íntimo
Falta o espinho na minha garganta quando a premência do desabafo já não me sai mais como na juventude e a arquitetura de muitos números desencanta-me a melodia gutural Falta o vidro nos meus olhos quando presencio a vergonha ornada à impetuosa sofisticação do estratagem pois gostaria de não ver o que me espanta mesmo custando a paisagem que encanta Falta a lâmina no meu pulso quando em pensamento me embaraço e o espírito em vital cansaço prefere prosseguir no trabalho de construir o futuro a detê-locomo um mau impulso Faltam-me as mãos nos ouvidos quando fora a palavra estúpida relincha, quando o pensamento em coices me balança, e a compreensão simples e ululante é encarcerada na caverna rupestre simplesmente porque todos concordam que fique lá Falta-me a alma para me sentir límpido ser do ramo humano o fruto puro que apenas o mundo fosse iníquo eu poder atravessar o fogo sem pulo e conviver aberto e sem íntimo Falta só isso
Sidney Giovenazzi é músico em São Paulo, SP.
Poema publicado na revista Escrita 40.
Guatá significa caminhar na língua guarani. E nos nomeamos assim porque é este o verbo mais apropriado para distinguir o esforço humano na procura de conhecer a força das próprias pernas conjugada ao equilíbrio de tatear o tempo e o espaço.
Assine as notícias da Guatá e receba atualizações diárias.